Investir em presença internacional é uma das estratégias mais importantes para a indústria moveleira do Brasil, uma vez que há um forte dinamismo no mercado externo. Esse mesmo movimento, a propósito, revela a América Latina como uma fonte de oportunidades, principalmente para quem busca mercados mais próximos, como a Colômbia, que vem ganhando espaço.

Fatores como proximidade cultural, logística e relacionamento comercial estão entre os mais relevantes. 

De acordo com um estudo da Associação Brasileira da Indústria do Mobiliário (ABIMÓVEL) em parceira com a ApexBrasil, em 2024, o mercado de móveis e colchões da Colômbia apresentou um consumo aparente estimado em US$425 milhões, sendo que 42,8% da demanda interna foi atendida por importações. 

“A Colômbia reúne uma combinação particularmente relevante para a estratégia internacional da indústria brasileira de móveis: mercado consumidor em expansão, participação elevada de produtos importados no mercado interno, proximidade geográfica e comercial, grandes centros urbanos e uma posição logística que conecta a América do Sul ao Caribe, ao Pacífico e aos mercados da América Central”, revela a ABIMÓVEL. 

Ou seja, o mercado colombiano é relevante para os fornecedores estrangeiros, incluindo o Brasil que pode ampliar a sua participação. Aliás, o estudo das entidades traz o setor brasileiro numa posição de destaque como o segundo maior fornecedor de móveis e colchões da Colômbia. 

“As vendas brasileiras chegaram a cerca de US$ 12,7 milhões, crescimento de 42,3% em relação a 2020. Com esse resultado, o Brasil respondeu por 7% do valor e por 12,3% do volume importado pela Colômbia”, expõe a associação. 

Avanço considerável nas exportações brasileiras 

Os dados mais recentes sobre a interação Colômbia e Brasil no setor de móveis despertam um certo otimismo. Para se ter ideia, de janeiro a maio deste ano, as exportações brasileiras de móveis e colchões para o país em questão chegaram a US$ 7,8 milhões, conforme a ABIMÓVEL divulgou. 

Temos, então, um crescimento de 31,4% em comparação com 2025, quando foi registrado um total de US$ 5,9 milhões. 

“Para o exportador brasileiro, não se trata apenas de ocupar uma lacuna produtiva, mas de disputar um ambiente no qual preço, design, adequação comercial, disponibilidade e relacionamento com distribuidores influenciam diretamente a decisão de compra.” 

E mais. Estes resultados mostram para o Brasil que é possível diversificar as exportações, de modo a ampliar a presença em mercados latino-americanos para construir diversas frentes de negócios. 

Mesmo porque, além de ser um mercado consumidor, a Colômbia pode se tornar uma oportunidade para empresas que queiram adaptar produtos, posicionar estratégias comerciais e se conectar com as características do mercado local. 

O potencial do mercado colombiano 

Onde está o potencial colombiano do qual estamos falando? O estudo da ABIMÓVEL e da ApexBrasil mostra que está, principalmente, na participação das importações no abastecimento do mercado. Com 42,8% da demanda interna atendida por produtos do exterior em  2024, há uma abertura considerável para os fornecedores internacionais.  

“O Brasil possui participação relevante especialmente em móveis para dormitórios, cozinhas e escritórios, além de outras linhas de madeira. A oportunidade, portanto, está em aprofundar essa presença e, simultaneamente, incorporar produtos de maior valor agregado, design próprio, diferentes materiais, soluções funcionais e propostas adaptadas aos ambientes urbanos colombianos.” 

Por falar na indústria brasileira de móveis, a possibilidade vai além de disputar um mercado fechado à produção estrangeira. A ideia agora é melhorar a posição brasileira, que já é relevante, em meio aos fornecedores internacionais da Colômbia. 

“Ou seja, o principal desafio está em elevar a qualidade da inserção brasileira: aumentar o preço médio, reduzir a dependência de poucas linhas e construir uma posição menos exposta à concorrência baseada exclusivamente em custos”, frisa a associação. 

Oportunidades e estratégias a longo prazo 

Os indicadores da ABIMÓVEL e ApexBrasil são positivos? Sim. No entanto, ambas consideram também que a presença em um mercado internacional não se consolida apenas com o aumento das exportações. 

A indústria brasileira de móveis precisa avaliar quais produtos apresentam maior aderência ao consumidor colombiano, identificar potenciais compradores e distribuidores e compreender os custos envolvidos na respectiva operação. Para a ABIMÓVEL, “as questões ambientais também ganham peso, tanto em relação à origem dos materiais quanto à gestão de embalagens, rastreabilidade, durabilidade e responsabilidade produtiva”. 

É necessário ainda avaliar as características do canal de venda escolhido, que pode envolver distribuidores, varejistas, projetos de interiores ou negociações diretas com empresas.

Outro ponto é a construção da marca. Entrar em um novo país pode ser uma oportunidade para posicionar o produto brasileiro a partir de alguns atributos. São eles: design, qualidade, inovação e capacidade de personalização, principalmente em segmentos onde o valor agregado tem um peso maior. 

Ou seja, para a indústria nacional, é essencial investir na participação no mercado colombiano. E, mais uma vez, o projeto deve compreender ações como o conhecimento das demandas locais, a seleção dos produtos com potencial, o estabelecimento de parceiros comerciais e o investimento em estratégias de internacionalização de longo prazo. 

“Parcerias com importadores e distribuidores, regularidade de fornecimento, suporte comercial, catálogos digitais, adequação de medidas e acabamentos, assistência pós-venda e comunicação em espanhol são outros elementos que influenciam a construção de negócios recorrentes”, conclui a ABIMÓVEL . 

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