A 11ª edição da ForMóbile já passou, mas os conteúdos ministrados em seus palcos continuam gerando reflexões e insights para o mercado de móveis e madeira. Entre os temas que permanecem atuais, destaque para as “Soluções práticas para projetos personalizados”, apresentadas por Taimara Engel, arquiteta e criadora do curso TSM (Tudo Sobre Marcenaria). 

Segundo a especialista, todo profissional, tanto arquitetos quanto marceneiros, deve saber, de fato, o que é a personalização. Ou seja, ela precisa agradar o cliente e não a quem desenvolve o projeto. “Temos que ter muito cuidado, pois muitas vezes uma solução ou referência não nos agrada, mas o cliente pode gostar”. 

Além disso, ela citou três pilares importantes para a solução de problemas neste segmento. O primeiro é o da funcionalidade, o segundo é o da estética e o terceiro é com relação ao custo. “Precisamos equilibrar os três pontos, mas às vezes abrimos mão de um para priorizar o outro”, ressaltou. 

Em seguida, a palestrante detalhou diversas soluções práticas para os painéis personalizados, conforme possíveis projetos e diferentes possibilidades, as quais você confere a seguir. 

13 soluções práticas para trabalhar com painéis de madeira 

1. Para móveis curvos 

Os móveis curvos foram citados entre as soluções. De acordo com Taimara, esse tipo de mobiliário tende a valorizar o respectivo projeto, porém pode elevar os custos e exigir maior complexidade na execução. 

Como alternativa, ela sugeriu soluções que incorporem curvas de maneira mais simples, como camas curvadas, prateleiras e mesas com cantos arredondados. “O nível de dificuldade e o custo são muito menores”. Ou seja, a ideia é atender à intenção estética do projeto em questão sem comprometer a viabilidade da produção e o investimento. 

2. Portas curvas 

O que também pode precisar de uma solução personalizada, conforme Taimara, é o móvel curvo com porta. Isso porque o grau de dificuldade que esse tipo de peça apresenta é alto. Portanto, é fundamental optar por uma solução que mantenha o efeito visual da curva, mas que abrigue uma chapa reta com detalhe curvo, de modo a reduzir a dificuldade da execução sem deixar que a proposta estética do projeto se perca. “Não é a mesma coisa, mas trazemos a curva de uma forma mais simples e fácil”, pontuou. 

3. Interno branco TX versus interno colorido 

Outra possibilidade de personalização está nos acabamentos internos dos móveis. O branco TX, por exemplo, é amplamente utilizado por contribuir com a redução de custos, mas as chapas coloridas podem criar pontos de destaque. 

Para a arquiteta, as soluções devem considerar o perfil do cliente e também o uso do móvel. Dessa forma, o acabamento colorido pode ser aplicado com estratégia em peças específicas, de modo a agregar personalidade sem elevar o custo do mobiliário. “Mas não precisamos usar todos os móveis com interno colorido. Pode ser num armário, num roupeiro ou alguma peça de destaque”. 

4. Prateleiras flutuantes 

Por sua vez, as prateleiras flutuantes foram apresentadas porque exigem atenção com relação à capacidade de carga. Segundo Taimara, quando o projeto prevê livros ou objetos pesados, por exemplo, é essencial que o profissional responsável avalie se a estrutura da peça suportará o respectivo peso. Por isso, ela apresentou algumas possibilidades, entre as quais, reforços metálicos e diferentes tipos de apoio para aumentar a resiliência do móvel sem comprometer a estética, mesmo que isso eleve um pouco o custo adicional. “É o equilíbrio”, alertou. 

5. Puxadores 

Conforme a apresentação, os puxadores usinados também podem representar um desafio de execução, principalmente quando o acabamento não é realizado com precisão. Neste caso, pode-se utilizar puxadores aplicados, que oferecem diferentes possibilidades de formatos, cores e disposição. 

Além disso, ampliam as opções de personalização do projeto. Essa opção é considerada interessante para projetos que compreendam um certo impacto visual, mas com uma fabricação simples. “No geral, um puxador aplicado vai ser mais acessível do que um puxador usinado”, revelou a palestrante. 

6. Painéis que não cabem em elevador ou escada 

Toda obra ou ambiente pronto possui a sua limitação de acesso, o que pode exigir soluções mais criativas. E elas foram citadas. Os painéis grandes, por exemplo, podem não caber nos elevadores ou nas escadas, logo, a ideia é dividir a peça em módulos e incorporar frisos, ripados ou variações de profundidade ao desenho. Sendo assim, uma restrição pode se transformar num elemento estético, de modo a facilitar o transporte e a instalação sem comprometer qualquer proposta. “Podemos brincar com essa questão da profundidade, negativo ou positivo”, explicou Taimara. 

7. Pé-direito maior que uma chapa de MDF 

A altura foi pontuada pela palestrante como um desafio para a instalação dos painéis personalizados em ambientes com o pé-direito elevado. Mas ela também apresentou opções para este caso, como a redução da altura do painel e a incorporação de um ponto de iluminação indireta na parte superior. 

Segundo ela, além de facilitar a execução, esse último recurso recria a sensação de um pé direito mais acolhedor e ainda dá destaque ao projeto, sem que as emendas horizontais ao longo da parede sejam necessárias. 

8. Pé-direito maior com roupeiro 

Já para os roupeiros que ultrapassam a altura de uma chapa de MDF, os nichos podem ajudar a resolver tal diferença de escala. Eles podem ser incorporados na parte superior, no centro do armário ou até mesmo distribuídos de maneira intercalada. Taimara disse que a escolha deve sempre considerar o perfil e a rotina do usuário, uma vez que aspectos como limpeza e acessibilidade também fazem parte das decisões de um projeto.  

9. Pé-direito maior com iluminação 

Ainda para os roupeiros em ambientes com pé-direito elevado, é possível  interromper o móvel antes do teto e aproveitar o espaço superior para criar uma iluminação. Nossa colaboradora ressaltou que, além de contornar a limitação de altura das chapas de MDF, esta solução contribui para uma plataforma mais aconchegante. É preciso, no entanto, considerar aspectos como limpeza, acabamento e as ideias do cliente. 

10. Pé-direito maior na cozinha 

E as cozinhas também tiveram o seu momento. De acordo com a palestrante, a altura do mobiliário nesse ambiente também pode ser definida com base no pé-direito e conforme a funcionalidade. Por exemplo, em ambientes muito altos, levar o móvel até o teto pode criar um espaço de difícil acesso e pouco aproveitamento. Logo, a redução da altura pode evitar emendas e tornar o armazenamento mais funcional. 

Outra possibilidade é a iluminação indireta na parte superior para criar um efeito visual de destaque e contribuir com uma atmosfera agradável. “Precisamos partir para soluções que façam sentido com o orçamento do cliente”. 

11. Adaptações das ferragens 

A adaptação das ferragens também foi abordada como um ponto de atenção. Foram recomendadas soluções compatíveis com o orçamento do cliente e suas necessidades. Isso porque ferragens de maior custo compreendem desenvolvimento, testes e componentes específicos. Para Taimara, é fundamental conhecer as soluções disponíveis no mercado. 

12. Soluções acessíveis 

Mais uma estratégia efetiva é buscar soluções simples em elementos que não sejam prioridade para o cliente, de modo a preservar os que fazem mais sentido no projeto. Alguns exemplos foram citados, como as mesas sem gavetas, que reduzem o uso de ferragens e materiais, e as portas com recortes em MDF como alternativa a elementos de vidro. Conforme a especialista, a proposta não é substituir as soluções mais sofisticadas, mas sim compreender o que é prioridade e direcionar o investimento para este fim. 

13. Cozinha sem armário aéreo 

Por último, mas tão importante quanto os demais tópicos, está a cozinha sem o armário aéreo. É possível utilizar prateleiras para substituir a parte dos armários sem comprometer a funcionalidade. No entanto, Taimara alertou que tudo dependerá das prioridades e do orçamento do cliente. “É importante apresentar referências para ele entender que não é um negócio de outro mundo”, destacou. 

A ForMóbile 2028 está marcada para os dias 04 a 07 de julho. Acompanhe as atualizações por aqui, e enquanto isso confira as dicas de gestão de marcenaria no Palco ForMóbile.