Sempre que um ano chega ao fim, começam os preparativos para o seguinte. Planos e projetos não faltam. Mas o que, de fato, importa para uma marcenaria começar um novo janeiro com o pé direito? A ForMóbile Digital conversou com Anderson Rios, consultor e diretor da plataforma Simplou, para trazer dicas sobre como calcular o seu orçamento.

Segundo Anderson, antes de falar dos custos que entram no orçamento para 2027, é preciso pensar no método de custeio da marcenaria. “Isso importa porque, dependendo do método adotado, ele pode mudar a composição de um orçamento. O mais indicado para as marcenarias e fábricas de móveis é o método de custeio por absorção”, explica.

A saber, essa opção faz com que todos os custos de produção fixos e variáveis, diretos e indiretos, sejam rateados e incorporados em cada peça fabricada. “Cada peça absorve uma fatia de tudo o que a marcenaria gasta para se manter”.

Acompanhe nos próximos tópicos o que você precisa para calcular o orçamento da marcenaria.

Cálculos para compor o orçamento da produção

“Calcular orçamentos de maneira efetiva é a única barreira que impede uma marcenaria de pagar para trabalhar.”

O nosso especialista citou dois tipos de custos para compor os cálculos da marcenaria, os diretos (variáveis) e os indiretos (fixos de fábrica). O primeiro tipo compreende o que é facilmente rastreável e aplicado diretamente na peça. Inclui, portanto, matérias-primas, insumos, ferragens e a mão de obra. Já o segundo envolve os gastos estruturais da produção que são rateados proporcionalmente entre os móveis.

Anderson destaca o aluguel do galpão, a energia elétrica, a depreciação do maquinário, a manutenção e os salários. “Despesas administrativas não entram aqui porque são consideradas despesas do período e devem ser pagas pela margem de lucro no fechamento do preço final de venda”.

Para o especialista, essa metodologia é a mais indicada, porém exige maturidade administrativa.

Controle sobre a margem

“O controle absoluto sobre a margem de lucro, a eficiência da montagem e a redução de desperdícios exige a substituição da gestão por ‘olhômetro’ por processos documentados e indicadores medidos diariamente no chão de fábrica e na rua”, alerta Anderson.

Com relação à proteção da margem de lucro, ele defende que ela só é real quando o orçamento reflete o custo exato da operação na marcenaria. Não é viável, segundo o consultor, precificar multiplicando o material por um fator fixo.

O ideal é calcular rigorosamente o custo de hora-máquina e hora-homem, de modo a aplicar um markup que preveja impostos, taxas de antecipação de cartão e comissões.

“No final, vale apurar a rentabilidade do projeto finalizado para identificar quais tipos de móveis trazem dinheiro para o caixa e quais estão apenas girando a roda.”

Montagem deve entrar na conta

A montagem também é importante para os orçamentos. Conforme Anderson, a casa do cliente de uma marcenaria é o ambiente mais caro e arriscado para os profissionais. Portanto, para controlar essa questão, é fundamental investir no controle da qualidade e na conferência dos módulos.

“Uma dica é criar um checklist de expedição, por meio do qual o montador assina atestando que fez uma conferência antes de carregar o caminhão. É preciso ainda estipular um limite de horas para a montagem de cada ambiente e medir o previsto versus o realizado para avaliar a produtividade da equipe externa.”

Desperdício também é custo

É preciso erradicar os desperdícios. Para o nosso colaborador, o lucro da marcenaria acaba ficando na caçamba de lixo. Por isso, é importante utilizar softwares de otimização de plano de corte, por exemplo, a fim de garantir o máximo aproveitamento de cada material.

“Além disso, pode-se criar um índice de retrabalho. Sempre que uma peça for cortada de maneira errada ou danificada na coladeira, o erro deve ser registrado. Isso tira o problema da invisibilidade e permite que os responsáveis treinem as equipes no ponto exato da falha.”

Custos que devem ser considerados e nunca descartados

Na marcenaria, alguns custos acabam ficando de fora, mas deveriam ser considerados. Para 2027, essa falha pode ser corrigida. O próprio Anderson frisa que “na rotina, vários custos invisíveis corroem a margem de lucro por não estarem nos orçamentos”.

Quais deles devem ser contabilizados sem exceção? A lista inclui a taxa de perda de material, a reserva para retrabalhos e garantias, a afiação e a reposição das ferramentas e a logística oculta da montagem. Também, a manutenção do maquinário, o tempo improdutivo da equipe e o consumo de EPIs.

Dicas extras

Para finalizar, o especialista contribui com mais dicas sobre o cálculo do orçamento. “Para ter saúde financeira no ano que vem, é preciso trabalhar com previsibilidade. Essa palavra não pode sair do foco”. Ou seja, a mudança precisa começar no controle da produção e na ponta do lápis.

Entre as dicas mais importantes de Anderson, estão:

  1. Abandonar a precificação multiplicadora e calcular o custo/hora real;
  2. Sincronizar os prazos do fluxo de caixa;
  3. Estabelecer um pró-labore inegociável;
  4. Criar um centro de custos para retrabalhos e assistências;
  5. Controlar o estoque de sobras.

“O erro da marcenaria é travar uma guerra de centavos com o fornecedor de MDF ou de ferragens, enquanto deixa milhares de reais escorrerem pelo ralo da ineficiência operacional. A ilusão de que o custo do material dita a margem de lucro é o que leva tantas empresas a trabalharem no vermelho. O lucro não foge na compra da chapa, mas na conta incompleta”, expõe Anderson.

E ele finaliza com um alerta para que as marcenarias comecem a precificar a operação e não apenas o material. “O controle financeiro real exige medir e cobrar cada hora perdida, cada chapa desperdiçada e cada quilômetro rodado à toa.”

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