O mercado de móveis vem sendo dominado pela tecnologia, inclusive, na maneira como as empresas se posicionam, se relacionam com os clientes e estruturam os negócios. Em sua palestra na ForMóbile 2026, Vanessa Sebenello, founder da VS Marketing, ressaltou que existe um desafio neste campo.
E ele não está na possibilidade de trabalhar mais, e sim na compreensão de como é possível vender melhor enquanto se utiliza os recursos disponíveis com estratégia.
A principal provocação da especialista foi a seguinte. Antes de optar por uma ferramenta de IA, por exemplo, é fundamental saber qual gargalo a empresa moveleira deseja resolver e onde ela deseja chegar.
Do artesão ao empresário
Logo no início, Vanessa abordou a necessidade de uma mudança de mentalidade dentro das empresas. Ela disse que, principalmente com relação aos negócios ligados à marcenaria e à produção sob medida, é necessário deixar de enxergar o empresário apenas como quem executa um trabalho.
Além disso, ressaltou: “pare de pensar no artesão que você é”. Ela explicou que a proposta não é abandonar o conhecimento técnico, mas ampliar a visão sobre o próprio negócio. Ou seja, dedicar mais atenção à estratégia, às vendas, ao relacionamento com o cliente e também à diferenciação ante ao mercado. “Isso faz completa diferença quando a gente fala de posicionamento”, considerou.
Neste cenário, o tempo também foi citado como um ativo estratégico. “Vender tempo tem limite”, destacou Vanessa ao passo em que defendeu que a tecnologia deve ser protagonista de diversas tarefas operacionais e repetitivas.
Dessa forma, o empresário pode concentrar seus esforços em atividades que dependam mais de decisão, relacionamento e criatividade.
Os clientes mudaram, a jornada também precisa mudar
Outro ponto importante da apresentação foi a transformação do comportamento do consumidor. Isso porque, ao procurar uma empresa, o cliente, hoje, pesquisa as redes sociais, as experiências de outras pessoas, os sites de reclamações, etc. Muita gente compara ainda alternativas em marketplaces e recorre a ferramentas de IA.
Logo, a presença digital diz mais respeito à capacidade de uma empresa ser encontrada no momento em que uma decisão de compra está sendo construída do que à sua quantidade de seguidores. “O jogo aqui não é audiência, é atenção”, completou a palestrante.
E mais, tanto fabricantes e indústrias, quanto marceneiros e profissionais da arquitetura podem atuar de maneira integrada, de modo a criar conteúdos e relacionamentos que acompanhem o consumidor ao longo da jornada de compra.
Por onde a IA começa?
A popularização da IA gerou uma corrida por agentes, automação e soluções que prometem efetivar os resultados. No entanto, Vanessa alertou que começar pela tecnologia pode ser o caminho menos eficaz. Ainda segundo a especialista, antes de implementar a IA, é importante que a empresa tenha clareza sobre alguns aspectos.
Entre eles, o próprio negócio, o cliente ideal, a cultura organizacional, a proposta de valor, o nível de consciência do público, quem representará a marca (porta-voz), como o conteúdo será distribuído e quais canais serão utilizados.
“Se isso não está bem definido, a sua Inteligência Artificial não vai trabalhar para você”, pontuou
Mais estratégia, menos hype
Quem esteve na palestra pode conferir ainda uma metodologia apresentada por Vanessa. Trata-se da “PROCURA”, cuja estruturação é feita em cinco pilares. O primeiro é posicionamento e nível de consciência: “quais são os problemas reais que o seu negócio está passando?”, questionou.
Enquanto isso, o segundo é responsabilidade e liderança e o terceiro é organização e estratégia. Já o quarto alicerce traz compromisso e ação e o quinto utilidade e resultados. “O que que eu espero de retorno?”.
A palestrante frisou que a lógica é evitar que as empresas adotem tecnologias apenas pela evidência. Tais recursos devem estar conectados a uma necessidade concreta e produzir impacto positivo no negócio em si.
E com relação à evolução no uso da IA, ela apresentou diferentes níveis de aplicação, desde o básico, com ferramentas de conversas, até os assistentes, projetos e agentes capazes de executar tarefas.
A ideia, na verdade, não é usar a tecnologia mais avançada, mas encontrar uma opção que faça sentido para a empresa e sua atuação no mercado moveleiro. “Não é a tecnologia que te usa, é você que usa a tecnologia”, alertou os participantes.
Conteúdo ajuda a construir autoridade?
Conforme Vanessa, a mudança acontece também pela comunicação. As redes sociais não existem apenas para serem usadas como vitrines permanentes de produtos, mas também para a distribuição de conteúdos, a qual deve estar baseada em três frentes. São elas: 50% educação, 30% autoridade e 20% solução.
Tal estratégia visa criar uma audiência mais preparada e próxima da marca antes mesmo do momento da compra. Para o mercado moveleiro, essa métrica ajuda a compartilhar conhecimento, mostrar domínio sobre o respectivo setor e apresentar soluções sem que a comunicação seja nitidamente uma ferramenta de oferta comercial. Em suma, a principal mensagem da palestra é que a tecnologia e a IA não substituem estratégias.
Na verdade, elas potencializam ideias e ações. Para quem atua no setor moveleiro, vender melhor significa compreender o próprio negócio primeiro, bem como conhecer o público-alvo, fortalecer o posicionamento no segmento de atuação e usar a tecnologia para gerar valor. “Todo mundo começou pequeno”, concluiu Vanessa.
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