Ao que tudo indica, o Mato Grosso tem como objetivo se manter na dianteira entre os polos da madeira nativa da Amazônia. O estado é responsável por quase metade das transações de toras do bioma (44%) e está de olho em estratégias efetivas, com foco no avanço da rastreabilidade e no manejo sustentável.  

Além disso, desenvolveu um parque industrial, onde é processada quase toda a produção local que, além de abastecer o mercado interno, tem sido exportada para os países da América do Norte, Ásia e Europa. 

Acompanhe mais detalhes dessa indústria. 

Rastreabilidade da madeira 

As exportações da produção madeireira do MT só aumentam. Para se ter uma ideia, os Estados Unidos, China e Europa expandiram em 81% seus pedidos. Os três lideram o consumo local. 

Porém, tal evolução vem acompanhada de algumas exigências com relação à origem da matéria-prima e a conformidades ambientais, como regulamentações e acordos comerciais (CITES, regulador do comércio internacional). Logo, a rastreabilidade é vista como uma estratégia para os produtores conquistarem suas metas.  

De acordo com Leonardo Sobral, diretor da área de florestas e restauração florestal do Imaflora, o mercado tem exigido cada vez mais informações sobre origem, legalidade e regularidade socioambiental dos produtos florestais. “Esse é um ponto estratégico para a indústria madeireira, e o Mato Grosso tem a oportunidade de avançar nesse quesito”, comenta. 

Manejo sustentável na região 

Outro ponto é o manejo sustentável. A área designada pelo estado para essa prática ainda é considerada insuficiente para assegurar a renovação dos estoques florestais no longo prazo. Ainda há pontos de exploração não autorizados para a atividade madeireira, conforme uma análise recente na região feita pelo Simex. 

Sendo assim, algumas medidas estão sendo apontadas, entre as quais a ampliação dos Planos de Manejo Florestal Sustentável e o fortalecimento da governança. Mas, para Leonardo, é preciso ir além. “Para manter a atividade em níveis sustentáveis econômica, comercial e ambientalmente, são necessários mais de 3,24 milhões de hectares sob regime de PMFS e que respeitem ciclos de 25 anos para a regeneração natural da floresta”

Ele diz que tais atitudes colocam em pauta a necessidade de conectar o manejo sustentável a uma discussão mais ampla no ordenamento territorial do estado. “Isso porque a pressão sobre as florestas persiste, com avanço das fronteiras agrícolas, da urbanização e da degradação ambiental”. 

Oportunidades para o setor madeireiro 

O Mato Grosso possui uma enorme base florestal, bem como tradição industrial e boa demanda internacional. Sendo assim, quer ser uma referência global em produção sustentável de madeira nativa. 

É preciso criar oportunidades. E um dos pontos de atenção para a produção madeireira no MT, para Leonardo, está na exploração de espécies como cedrinho, cupiúba, mandioqueira e itaúba. “São madeiras de maior procura, portanto, alvos preferenciais de exploração”.  

Por isso, os investimentos em rastreabilidade, na diversificação das espécies e no monitoramento da cadeia produtiva são imprescindíveis. O próprio diretor do Imaflora aponta que a atividade madeireira do estado tem a missão e o desafio de ordenar, monitorar  e fiscalizar os territórios onde atua.  

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