Recentemente, Eduardo Stehling, biólogo e consultor florestal da Fuste Woodtech, nos deu uma aula sobre madeira de lei. O especialista listou aspectos históricos e essenciais para o manejo. Dessa vez, o tópico é a madeira nobre.

Segundo Eduardo, a madeira nobre é a madeira proveniente de espécies nativas do Brasil ou de outros países, com alta relevância no mercado nacional ou internacional. O destaque fica por conta da beleza, trabalhabilidade, estabilidade e usos nobres dentro do respectivo nicho.

“A madeira nobre possui um alto valor e interesse de mercado. Ela tem uma importante representação entre os profissionais da área e também de consumidores finais. As diferentes espécies consideradas nobres podem ser aplicadas em estruturas, mobiliários, marcenaria, lutherias, além de usos especiais como a fabricação de produtos de alto valor agregado.”

Eduardo diz também que nem todas as espécies consideradas nobres foram espécies de madeiras de lei, uma vez que muitos acabam confundindo essa questão. “Isso porque existe a evolução dos usos dentro do caráter histórico e regional”, completa.

Um exemplo interessante, portanto, é a questão do mogno-brasileiro (Swietenia macrophylla) que, embora já tenha sido considerada uma das mais nobre do mundo para diversas finalidades, não está nas listas de madeiras de lei desde o período colonial por estar presente no bioma amazônico.

Quais são os tipos de madeira nobre?

A saber, a definição da madeira nobre não é técnica e nem botânica. Sendo assim, uma possível lista de espécies foi aberta e está ligada à sucessão das espécies utilizadas no mercado hoje.

Conforme o consultor florestal da Fuste Woodtech, essa lista é influenciada por aspectos como moda, interesse do mercado atual, oferta e escassez de outras espécies. “Ou seja, uma espécie que não possuía status de nobre pode ganhar o respectivo título, como é o caso do louro-freijó”, detalha.

A tendência de mercado ditada pela moda e pelo design, aliada à disponibilidade do produto, conferiu ao freijó um status de nobreza que a espécie não apresentava alguns anos atrás.

Confira a seguir algumas espécies nobres brasileiras.

Para uso estrutural

Ipês (Handroanthus spp.), cumaru (Dipteryx odorata), jatobá (Hymenaea courbaril), garapeira (Apuleia leiocarpa), massaranduba (Manilkara spp.), sucupira (Pterodon spp./Bowdichia spp.), angico (Anadenanthera spp.) e aroeira (Myracrodruon urundeuva).

Para marcenaria fina e mobiliário

Mogno (Swietenia macrophylla), cerejeira (Amburana cearensis), imbuia (Ocotea porosa), pau-marfim (Balfourodendron riedelianum), freijó (Cordia goeldiana), louro-faia/louro-pardo (Cordia spp.) e cedro (Cedrela spp.).

Lutheria e usos especiais

Jacarandá-da-Bahia (Dalbergia nigra), pau-ferro (Libidibia ferrea), mogno (Swietenia macrophylla), cedro (Cedrela spp.), roxinho (Peltogyne spp.), gonçalo-alves (Astronium spp.), imbuia (Ocotea porosa) e pau-brasil (Paubrasilia echinata).

“As espécies de madeira de lei também podem ser consideradas nobres em função do seu contexto histórico”, ressalta Eduardo. Ele explica que, no Brasil, existe atualmente um mercado de reflorestamento com madeiras exóticas consagradas mundialmente e que também recebem a denominação de madeira nobre.

São elas:

  1. Cedro australiano: Toona ciliata
  2. Mognos africanos: Khaya grandifoliola e khaya senegalensis
  3. Teca indiana: Tectona grandis
  4. Cinamomo/Santa Bárbara: Melia azedarach
  5. Cedro indiano: Acrocarpus fraxinifolius
  6. Kiri: Paulownia tomentosa

Apesar de serem consideradas nobres em suas origens, estas espécies se distinguem nesse momento das madeiras centenárias. Isso porque têm pouca idade e maturação. A evolução dos plantios e o desenvolvimento dessas madeiras exóticas é a porta de entrada para o desenvolvimento de reflorestamentos das espécies nativas no futuro.

Diferenciais da madeira nobre

Entre os principais diferenciais das espécies nobres estão a beleza (cores e veios únicos), a trabalhabilidade da madeira, que otimiza os processos e os resultados, o acabamento obtido por meio de lixamento ou raspagem, a durabilidade, a resistência e as propriedades acústicas e construtivas obtidas em instrumentos musicais diversos.

“Além disso, a estabilidade da madeira seca minimiza a ocorrência de defeitos ou problemas na construção”, pontua o especialista.

Ele explica também que as madeiras nobres, geralmente, são utilizadas em projetos especiais e personalizados, de custo mais elevado. “Elas entram como matéria-prima de luxo, de modo a oferecer todo o potencial possível na confecção por meio de suas características especiais”.

E o manejo?

Com relação ao manejo da madeira nobre, os cuidados são muito semelhantes aos da madeira de lei.

Segundo Eduardo, para a produção de espécies exóticas de madeira nobre, é necessário uma área com solo, clima e precipitação adequados. “O manejo nutricional envolve correções e preparo de solo muito bem-feitos, com adubações de manutenção que deverão seguir até o quarto ano de plantio, pelo menos”.

Em todos os casos, conforme explica o biólogo, o plantio é feito de maneira adensada. É necessário o controle de mato-competição e de desrama para a produção de madeira livre de nós.

“O plantio dessas espécies já foi exaustivamente realizado, havendo conhecimento técnico, oferta de mudas e taxa de crescimento para justificar investimentos enquanto modelo de negócio”, finaliza.

Aprofunde-se no tema das madeiras nobres: entenda o que é o manejo florestal.