A cozinha é o ambiente preferido de nove entre 10 pessoas, uma vez que, nela, muitos se reúnem para compartilhar momentos importantes. Logo, se tornou uma oportunidade para quem trabalha com móveis e quer entregar projetos personalizados.
A cozinha projetada é muito mais do que uma tendência, trata-se de um diferencial competitivo no mercado da marcenaria e dos móveis planejados. Aliás, o respectivo mercado tem movimentado cerca de 13,8 bilhões no Brasil, de acordo com um estudo do IEMI – Inteligência de Mercado.
Além da estética, os projetos compreendem estratégia, ergonomia, personalização e inteligência no uso do espaço. A propósito, são fatores que impactam diretamente na experiência do cliente e na valorização do trabalho.
Priscila Prieto, CEO da Prieto Móveis Planejados, explica que é preciso respeitar sempre a decisão do cliente e desenvolver o projeto conforme o uso do espaço. “O projeto da cozinha deve seguir de acordo com os desejos de quem irá manuseá-la e não do profissional responsável”, completa.
Esse guia da cozinha projetada é dedicado a marceneiros, arquitetos, designers e lojistas. Entenda que dominar esse tipo de solução é fundamental para quem deseja se destacar num mercado tão exigente.
Confira a seguir os principais pontos que transformam uma cozinha simples em um projeto bem sucedido.
O que é uma cozinha projetada?
O conceito de cozinha projetada vai além da ideia dos móveis sob medida. Estamos falando de um ambiente planejado com estratégia, cujo desenho considera o estilo de vida do cliente, o espaço disponível, a rotina de uso e até mesmo aspectos técnicos. Entre eles, ventilação, iluminação e circulação.
Conforme explica Priscila, a funcionalidade do ambiente é muito importante neste sentido. Diferentemente da escala industrial, ela pontua que na marcenaria da cozinha projetada as medidas não são limitadas. Ou seja, não se trata de encaixar armários, mas sim de construir soluções.
No projeto, qual é o papel do profissional?
O profissional que trabalha com cozinhas projetadas (arquitetos, marceneiros, projetistas, designers) não deve ter uma postura operacional, mas atuar como um consultor. “É preciso ouvir o cliente e entender os seus desejos”, destaca a CEO.
Dessa forma, vale compreender os hábitos, as necessidades e as dores de quem está contratando o trabalho. Além disso, traduzir suas expectativas em soluções práticas, compreender normas técnicas (como as NBRs de instalações elétricas, hidráulicas, ergonomia e de desempenho de edificações, por exemplo) e antecipar problemas antes da execução.
Tal abordagem existe para agregar valor ao projeto e reduzir retrabalhos. Além disso, para aumentar significativamente as chances de fidelização do cliente, bem como a indicação a terceiros.
Ergonomia e funcionalidade nas cozinhas
Como a especialista ressaltou, é preciso que a cozinha projetada seja funcional. A ergonomia é também essencial. “A ideia é trazer praticidade ao dia a dia”, continua Priscila. Mesmo porquê, uma cozinha bonita vende, encanta, mas uma cozinha projetada e funcional conquista.
Aliás, ainda de acordo com Priscila, o respectivo projeto deve seguir princípios indispensáveis, entre os quais, alturas adequadas de bancadas e armários, distâncias eficientes entre a pia, o fogão e a geladeira, bem como a facilidade de acesso aos itens mais utilizados.
Outro ponto importante é aproveitar com inteligência os cantos e as áreas (até mesmo de difícil acesso). “Por exemplo, quando você tem uma peça aérea, com profundidade maior e bem pensada, o cliente consegue praticidade para guardar seus utensílios”. Priscila afirma que é “preciso verificar os pontos estratégicos”, pois tais ajustes podem fazer grande diferença na vida do cliente.
Além disso, precisamos falar da importância das ferramentas e softwares adequados, os quais contribuem com a tão citada funcionalidade. Softwares de projeto e as opções de renderização são indispensáveis.
Enquanto isso, as ferramentas mais utilizadas são as de medição, nivelamento e de produção, como serras, furadeiras, parafusadeiras, tupias, coladeiras, entre outras.
Materiais e acabamentos
A seleção dos materiais (MDF, MDP, compensados, laminados, granitos e vidros, por exemplo) é também uma etapa importante e estratégica no desenvolvimento da cozinha projetada.
Além da estética, a durabilidade e a manutenção devem ser consideradas. Aqui também temos pontos de atenção, como a resistência à umidade das chapas, a qualidade das ferragens, a limpeza dos revestimentos e o diálogo entre o acabamento das peças com o restante do ambiente.
Portanto, é fundamental orientar o cliente sobre as escolhas dos materiais e acabamentos, de modo a evitar a insatisfação no futuro.
Integrações no projeto
Nem só de madeira é composta uma cozinha projetada. Mas também de eletrodomésticos como cooktops, fornos, geladeiras, coifas, etc. Por isso, é primordial que o projeto considere uma integração absoluta neste sentido.
E este trabalho exige precisão, exatidão das medidas, entre outros fatores. Entre eles, a previsão dos pontos elétricos e hidráulicos e a ventilação adequada para cada equipamento. Caso contrário, o funcionamento da cozinha pode ser comprometido.
E a iluminação?
Muitas vezes, a iluminação é negligenciada na cozinha projetada. Mas ela está entre os diferenciais do ambiente junto com as peças de marcenaria. Segundo Juliana Pascoalini, arquiteta e lighting designer, é preciso dar chance para as melhores soluções. “A ideia é garantir conforto visual, funcionalidade e um ambiente bonito de verdade”.
Sendo assim, é importante que as luzes sejam pensadas em camadas. Por exemplo, iluminação geral, de tarefas e decorativa. A iluminação tende a melhorar a usabilidade e a percepção do projeto, de modo a enriquecer o ambiente. “Sem depender de soluções genéricas”, completa a designer.
Personalização é uma estratégia de valor
“O maior erro numa cozinha projetada é a sensação de que nada cabe”, diz Priscila. Ou seja, a força da cozinha projetada está na personalização. E, como vimos até aqui, essa métrica vai além das cores e beleza dos puxadores.
Para completar este guia, personalizar é adaptar o projeto ao perfil do cliente (famílias, solteiros, apaixonados por gastronomia, com vida social agitada, etc.). É também criar soluções exclusivas e propor diferenciais para ajudar os usuários do espaço.
A cozinha projetada não é uma tendência, mas uma oportunidade para atender necessidades com efetividade.
Gostou das dicas para incluir em seus projetos de cozinha? Aproveite para entender melhor a impermeabilização de móveis.