Durante a ForMóbile 2026, feira internacional da indústria de móveis e madeira, o Palco ForMóbile recebeu uma apresentação especial sobre a trajetória da Florense, empresa gaúcha que se consolidou como referência mundial em móveis de alto padrão. 

A palestra “Florense: Uma História de Design e Inspiração”, com patrocínio da Koria, trouxe Felipe Luís Corradi, Diretor Industrial das empresas do Grupo Florense, e Renato Valcarengh, CEO da Koria, para compartilhar insights sobre gestão, inovação e os valores que sustentam a marca há mais de sete décadas. 

Da fundação aos dias atuais 

A história da Florense começou em 1953, em Flores da Cunha, na Serra Gaúcha, pelas mãos de dois visionários: Ângelo Corradi e Lourenço Darcy Castellan. Felipe Corradi, que representa a terceira geração da família à frente do negócio, contextualizou a realidade da época com uma reflexão sobre as dificuldades enfrentadas pelos fundadores. 

“Nós não estamos falando de 60 anos atrás. Minha mãe tem 65 anos. Quando tinha 10 anos, não tinha o que pôr no pé. Eram 8 irmãos. Quem acordava mais cedo, pegava o que tinha para botar no pé e ia para a escola”, relatou, destacando o contraste com a facilidade dos dias atuais. 

Os fundadores não apenas construíram uma empresa, mas ajudaram a desenvolver toda uma cidade. “Tiveram que construir uma cidade, puxar energia, não tinha correio, não tinha banco, não tinha estrada, linha telefônica para fazer uma ligação”, explicou o diretor industrial. 

A filosofia que move a Florense 

Um dos conceitos mais marcantes apresentados na palestra foi a expressão “serragem nas veias”, criada pelo fundador Lourenço Castellan. Mais do que uma frase de efeito, representa toda a filosofia empresarial da Florense. 

“Quem está na Florense é porque tem serragem nas veias. Essa é a frase ícone dele e é muito maior do que essa mera expressão. É toda a filosofia que tem por trás de uma marca”, destacou Corradi. 

Essa filosofia se reflete em todas as decisões da empresa, desde o tratamento com colaboradores até a escolha de fornecedores e parceiros estratégicos. “Quando a gente se depara numa decisão, seja pra fazê-la agora, depois, num projeto futuro, a gente leva muito isso em conta, no trato pessoal no dia a dia”, complementou. 

Estrutura industrial: verticalização e tecnologia 

Atualmente, a Florense opera em um parque fabril de 68.000 m² de área construída, com uma característica que a diferencia no mercado: a verticalização da produção. A empresa domina praticamente todos os processos necessários para fabricar seus móveis. 

“A gente tem desde uma planta de alumínio, vidro, pedra, tecido, espuma, couro, pintura, BP, MDF, madeira, logística. É uma empresa bem vertical, ou seja, ela faz muita coisa dentro de casa”, explicou Corradi. 

Essa estrutura permite à Florense oferecer uma personalização extrema aos clientes. “Entre todos os acabamentos, a gente tem mais de 500 tipos de superfície que eu posso fazer numa peça entre couro, palha, tela metálica, vidro, madeira fosca, madeira brilhante”, revelou o diretor. 

Renato Valcarengh, CEO da Koria, participou da palestra destacando a importância das parcerias no setor moveleiro. A Koria, como maior ecossistema de pintura do Brasil, mantém parceria de longa data com a Florense. 

A relação entre as empresas exemplifica a filosofia de trabalhar com parceiros que compartilham os mesmos valores de qualidade e excelência. Corradi mencionou que a empresa conta com equipamentos da Koria para desenvolver os acabamentos especiais de suas linhas. 

Equilíbrio entre automação e artesanato 

Apesar de contar com tecnologia de ponta e equipamentos modernos, a Florense mantém uma característica única: o trabalho artesanal representa cerca de 30% a 40% da mão de obra da fábrica. “São áreas que são dedicadas à superfície, acabamento fino. Não tem como fazer automação dentro desse processo”, explicou Corradi. 

O conceito de “fatto a mano” (feito à mão, em italiano) é uma expressão constantemente utilizada na fábrica. “A gente mescla muito essa entrega da automação também com a entrega do feito à mão. Isso é bem forte”, afirmou. 

Um dos diferenciais competitivos da Florense é o sistema de produção custom made, ou seja, sob medida e sob demanda. A empresa não mantém estoque de produtos prontos. 

Esse modelo permite flexibilidade total de medidas e acabamentos, mas exige excelência em gestão de processos. “Tem que ter essa inteligência de casar toda a logística para não perder o avião”, comparou o diretor industrial. 

Pioneirismo na sustentabilidade e nas vendas 

Em 1988, a Florense foi pioneira ao implementar o sistema de franquias no setor moveleiro brasileiro, junto com empresas como Yázigi, Mister Pizza e Boticário. “Foi a primeira indústria moveleira a fazer esse sistema de franquias. Não é revenda, sistema de franquias é diferente”, esclareceu Corradi. 

Atualmente, a Florense conta com 55 lojas franqueadas no Brasil e 14 nas Américas, totalizando cerca de 2.500 pessoas envolvidas na rede de franquias. 

Muito antes de ESG se tornar uma tendência, a Florense já adotava práticas sustentáveis. A empresa foi pioneira no segmento moveleiro das Américas ao conquistar a certificação ISO 14001 em 2001. “Foi a primeira da América Latina a ter essa normativa que cuida de resíduo, emissão de CO2, isso há muito tempo”, destacou Corradi. 

Cultura Organizacional como diferencial  

O diretor destacou que a cultura da Florense é perceptível desde a recepção da empresa. “Ao entrar na Florense, você já sente desde a recepção que é uma empresa diferente, que ela tem um tratamento diferente com os seus fornecedores, colaboradores, com os parceiros estratégicos, os lojistas, os clientes. Eles têm uma maneira de lidar com tudo isso, que é excepcional”, afirmou. 

Essa cultura se reflete em histórias de crescimento interno. “Tem muitos franqueados da Florense que saíram do chão de fábrica”, exemplificou.  

Ainda assim, um dos principais desafios atuais da empresa é a gestão de pessoas em um contexto mundial mais complexo e dinâmico. “Hoje, o contexto do mundo é muito mais ágil, mais complexo, mais dinâmico. Isso também afeta mais a gente. A gente fica mais ansioso”, analisou. 

Ele destacou que, apesar da tecnologia, o fator humano continua essencial. “Lógico, temos máquinas, temos robôs, temos sistemas automáticos, temos automação, mas a Florense tem uma característica muito grande de ter muita coisa manual”, reforçou. 

Reconhecendo a complexidade de seus produtos e a necessidade de equipes bem preparadas, a Florense inaugurou recentemente um hub de capacitação em São Paulo. “No final do ano passado abrimos o nosso hub só de capacitação e treinamento de equipes. Com tudo isso, a gente fomenta a nossa rede de franquias”. 

Legado e futuro da Florense 

Ao encerrar sua apresentação, Felipe Corradi reforçou o propósito que move a empresa. “Nosso propósito é inspirar, gerar emoção, desejo com verdade, autenticidade para o nosso cliente. Isso não é simples, porque requer sempre fazer algo melhor todos os dias. Evolução”. 

Ele sintetizou a filosofia que permeia todas as áreas da empresa: “Desde o atendimento ao cliente até a parte logística, parte de projeto, pós-venda, instalação, produção. A gente tenta manter sempre dentro dessa mesma filosofia, o mesmo guarda-chuva, com os mesmos valores, ética, transparência, resultado”. 

A palestra revelou mais do que a trajetória de uma empresa de móveis, mostrando como valores sólidos, visão de longo prazo e equilíbrio entre tradição e inovação podem construir uma marca respeitada mundialmente. 

Para o setor moveleiro brasileiro, a trajetória da Florense oferece lições valiosas sobre gestão familiar, sucessão, posicionamento de mercado e a importância de construir uma cultura organizacional forte e autêntica. 

A presença da Koria como patrocinadora da palestra reforça a importância das parcerias estratégicas no setor, onde fornecedores e fabricantes trabalham juntos para elevar o padrão de qualidade da indústria moveleira brasileira.