O mercado comercializa o MDF cru? Sim. Ele ainda é útil mesmo com tantas opções da madeira já revestida? Sim também. É o que diz Gustavo Falcão, designer e marceneiro do canal Design e Oficina.

Basicamente, o MDF cru (um dos preferidos do setor moveleiro) é um painel, produzido a partir de fibras de madeira com resina sintética e aditivos. Essa matéria-prima é prensada sob alta temperatura e muita pressão. Trata-se de um material homogêneo, com densidade média e superfície lisa.

Aqui, vamos falar sobre o MDF cru e as suas aplicações. Mas, antes de tudo, precisamos compreender a diferença entre ele e o MDF revestido. E ela está no acabamento superficial.

Como o nome sugere, o MDF revestido possui uma película aplicada a baixa pressão (BP) ou lâminas decorativas, ao passo em que o MDF cru se dispõe a receber o acabamento que o respectivo projeto exigir.

Ou seja, ambos oferecem diferentes possibilidades de uso, um contribui com a praticidade e o outro com a personalização.

Usos e desusos do MDF cru

Para se ter uma ideia, aqui no Brasil, o MDF cru se consolidou como uma escolha estratégica para a indústria moveleira e as marcenarias pelo baixo custo, flexibilidade de uso e desempenho em processos de usinagem e acabamento.

Sobre as possibilidades de uso, Gustavo afirma que, primeiramente, é incomum alguém usar o MDF cru como ele vem da fábrica.

“O projeto acaba não sendo tão profissional porque o MDF cru não é atrativo”, explica. No entanto, existem algumas possibilidades, sim. Entre elas, os fundos das gavetas, que não ficam aparentes, assim como a parte de trás dos armários. “O tampo dos armários mais altos também costuma ser de MDF cru porque não é visível para o cliente. E até mesmo as partes que são coladas umas nas outras”.

Diferenciais do MDF cru

O MDF cru se destaca pela versatilidade. Como citado a pouco, ele pode receber diferentes tipos de acabamento, como pintura, verniz, lâminas naturais, laminados e laqueação.

Dessa forma, abre um leque de possibilidades estéticas para variados tipos de projetos e o profissional responsável pode criar soluções únicas, conforme a demanda do cliente. De acordo com Gustavo, “com o acabamento ideal, muitos projetos que começam do zero com o MDF cru chegam muito próximo da madeira real”.

E quanto ao preço? Esse quesito também é um diferencial. O MDF cru é mais barato do que o revestido, o que representa uma vantagem competitiva importante.

Além da versatilidade e do custo-benefício, esse material, com sua superfície lisa e uniforme, contribui com diversos tipos de corte para garantir precisão e qualidade ao produto final.

A sustentabilidade é uma outra questão. Diversos fabricantes de MDF oferecem certificações FSC (que visa combater o desmatamento ilegal), de modo que a madeira em si seja proveniente de fontes responsáveis.

Acabamento no MDF

Ao passo em que o MDF cru oferece liberdade, ele desperta atenção quanto ao acabamento. O respectivo processo pode exigir o uso de uma seladora, bem como os processos de lixamento, pintura ou aplicação de revestimentos, dependendo do efeito desejado.

O acabamento no MDF cru valoriza a sua estética e também aumenta a durabilidade da peça. O material fica protegido contra umidade e desgaste.

“Revestir com fórmica [laminado melamínico] também é uma opção”, pontua o designer. Para ele, como o MDF cru não possui cores diferenciadas, a fórmica pode deixar o móvel mais atraente. “A camada extra ajuda muito e faz valer a pena”.

Aplicações e práticas

Que o MDF cru é versátil, já sabemos pelas características apresentadas. Ele atende demandas industriais e até mesmo criações artesanais.

Sua presença é constante em móveis sob medida, como armários, cozinhas projetadas, closets, mesas, cadeiras, etc. Ambientes corporativos também são beneficiados, como em estações de trabalho, recepções e divisórias.

Já na arquitetura e no design de interiores, por exemplo, o MDF cru aparece em revestimentos, entre os quais painéis de parede, forros e molduras. Graças a sua superfície uniforme, ele conquista projetos sofisticados e contemporâneos também

Outra aplicação é na produção de portas e batentes, graças a estabilidade desse material, bem como em displays e expositores comerciais.

Gustavo chama atenção para o fato do MDF cru ser feito de fibra, uma vez que ele se torna mais denso no corte e, por isso, permite tantas aplicações. “Ele é denso como um bloco, mais do que outros materiais, como o próprio MDP. Por isso, favorece mais”, completa o especialista.

Você já trabalhou com o MDF cru? Siga acompanhando a ForMóbile Digital para conhecer os principais materiais utilizados no setor moveleiro.