A energia é um dos principais gargalos da indústria brasileira. Para se ter uma ideia desse peso, em um ranking internacional de custos de energia para o setor industrial compilado em 2015 pela Firjan (Federação das Indústrias do Estado do Rio), o país estava em primeiro lugar, com preço médio de R$ 534,28/MWh (megawatt-hora).
O Brasil melhorou sua posição para a 6ª colocação em 2024, mas o custo médio da energia elétrica para a indústria ainda é alto, chegando a R$ 310,19 por MWh. O Preço de Liquidação das Diferenças (PLD) médio subiu 84% entre 2024 e 2026, passando de R$ 129 por MWh para R$ 236 por MWh.
Como alternativa ao mercado convencional, onde o contrato com o fornecedor tem a tarifa regulada, o mercado livre de energia flexibiliza a negociação e pode reduzir a fatura no final do mês. Atualmente, 95% de toda a eletricidade consumida pelas indústrias brasileiras foi contratada no mercado livre em novembro de 2025, contra 93% no mesmo período de 2024, de acordo com a Abraceel (Associação Brasileira dos Comercializadores de Energia).
O setor comercial também tem aderido: 47% de toda a eletricidade consumida pelo comércio brasileiro em novembro de 2025 foi obtida no mercado livre, contra 41% no mesmo período de 2024.
Essas empresas buscam, principalmente, redução nos custos e previsibilidade na fatura de eletricidade. A associação estima que, desde 2003, essa modalidade proporcionou uma economia acumulada de R$ 476 bilhões. Somente em 2024, o mercado livre proporcionou R$ 55 bilhões de economia para os consumidores.
Acompanhe agora 7 motivos para aderir ao Mercado Livre de Energia:
1 – Liberdade para negociar contrato
No modelo convencional, a compra de energia pelo fornecedor local é feita por meio de um contrato sem flexibilidade, uma vez que opera por demanda e não faz distinção de preço, seguindo as diretrizes da Aneel (Agência Nacional de Energia Elétrica). O mercado livre permite a escolha do fornecedor, dando autonomia para negociar condições que atendam às necessidades da empresa.
“Contratualmente, para mitigar riscos, é possível vincular o preço ao dólar, ter flexibilização com preço pré-determinado e atrelar o processo produtivo”, explica Reginaldo Almeida de Medeiros, presidente executivo da Abraceel.
As empresas também podem escolher fontes renováveis certificadas (PCHs, eólica, solar, biomassa) para atender metas ESG e compromissos de sustentabilidade.
2 – Economia nos custos de energia
O mercado livre de energia tem proporcionado economia para os consumidores. Desde 2003, a economia acumulada ultrapassa R$ 476 bilhões. Somente em 2024, os consumidores economizaram R$ 55 bilhões em comparação com o mercado convencional.
A economia varia conforme o perfil de consumo e a forma de contratação de cada empresa, mas os números demonstram o potencial de redução de custos. Com a volatilidade crescente do PLD (aumento de 84% entre 2024-2026), a gestão da contratação de energia torna-se ainda mais necessária para garantir previsibilidade e competitividade.
3 – Empresas de todos os portes podem aderir
Desde janeiro de 2024, com a Portaria MME 50/2022, todos os consumidores do Grupo A (alta tensão), independentemente da demanda contratada, podem migrar para o mercado livre. Isso eliminou a antiga barreira de 500 kW, democratizando o acesso ao mercado livre.
A Lei 15.269/2025, sancionada em novembro de 2025, estabeleceu um cronograma de abertura total do mercado:
- Até 24 meses após a sanção: consumidores comerciais e industriais em baixa tensão poderão migrar, beneficiando cerca de 6 milhões de pequenos comércios e 400 mil pequenas indústrias;
- Até 36 meses após a sanção: abertura para consumidores residenciais.
Essa expansão permite que empresas de todos os portes e, futuramente, até consumidores residenciais, possam escolher seus fornecedores de energia.
4 – Possibilidade de agregar carga com outras empresas
Empresas que consomem a demanda mínima podem agregar carga com outras empresas e formar um consumidor especial. É exigido, no entanto, estar em uma área contígua sem via pública.
Segundo Medeiros, essa é uma solução interessante em condomínios industriais e comerciais, pois as ruas particulares não interferem no projeto, e ainda são instalados medidores diferentes para cada empresa.
Essa prática funciona bem para condomínios industriais, comerciais e empresariais, permitindo que empresas menores se beneficiem das vantagens do mercado livre através da união de cargas.
5 – Compra com prazo maior e tarifa mais estável
No mercado livre de energia, contratos de longo prazo ajudam a evitar a flutuação das tarifas e garantem previsibilidade nos custos operacionais. Com a volatilidade crescente do mercado — o PLD médio aumentou 84% entre 2024 e 2026 — contratos de longo prazo ajudam a mitigar riscos de flutuação.
Contratos bem estruturados permitem que as empresas se protejam contra oscilações bruscas de preços e mantenham a competitividade, mesmo quando há instabilidade no setor elétrico.
6 – Consolidação e crescimento acelerado do mercado
O mercado livre de energia consolidou-se como a principal forma de contratação de energia no Brasil. Os números comprovam:
- 95% da indústria brasileira já adere ao mercado livre
- 47% do comércio também migrou para essa modalidade
- 43% de toda a energia elétrica consumida no país (considerando a carga total do Brasil, incluindo perdas) é negociada no mercado livre
- Em novembro de 2025, o mercado livre registrou 82.958 unidades consumidoras
- 21.547 novas unidades aderiram em 12 meses, representando crescimento de 35%
7 – Sustentabilidade e compliance ESG
O mercado livre oferece a possibilidade de contratar energia de fontes renováveis certificadas, como eólica, solar, biomassa e pequenas centrais hidrelétricas (PCHs). Essa escolha permite que as empresas:
- Reduzam sua pegada de carbono
- Atendam compromissos de sustentabilidade e metas ESG
- Obtenham rastreabilidade através de I-RECs (Certificados Internacionais de Energia Renovável)
- Melhorem seus relatórios de sustentabilidade
- Atendam requisitos de acordos comerciais internacionais que exigem comprovação de uso de energia limpa
A capacidade de escolher e comprovar o uso de energia renovável torna-se um diferencial competitivo para as empresas brasileiras que atuam no mercado global.
O mercado livre de energia deixou de ser uma alternativa emergente para se tornar uma realidade em expansão no Brasil. Para indústrias moveleiras e pontos comerciais, a migração se mostra uma boa opção.
Aproveite e baixe o Guia do Mercado Livre de Energia para a pequena indústria.