A sustentabilidade em eventos, assim como no setor de arquitetura e construção civil, foi tema de palestra durante a ForMóbile 2026. No Palco ForMóbile, Darlan Firmato, arquiteto e diretor de operações da CASACOR São Paulo, apresentou o case de sustentabilidade da mostra.
Durante a apresentação, foram compartilhadas as melhores práticas sustentáveis aplicadas na mostra, da montagem até a desmontagem, com números que refletem essa responsabilidade socioambiental.
Acompanhe os destaques do conteúdo e inspire-se para projetos mais sustentáveis.
Dimensões da CASACOR
Já conhecida por boa parte do público da ForMóbile, a CASACOR está presente em 18 capitais brasileiras e três países da América Latina (Peru, Bolívia e Costa Rica), recebendo mais de 600 mil visitantes anualmente. Somente em São Paulo, onde a mostra está nesse momento, são 130 mil visitantes por edição.
“Nós somos um palco, um palco para grandes marcas e para experimentações. Temos um espaço que costumamos dizer que é um laboratório vivo de experiências”, destacou Darlan.
O evento mobiliza mais de 800 arquitetos e 1.600 marcas anualmente, criando 625 ambientes em toda a rede. Segundo a prefeitura, a mostra gera mais de 40 mil empregos diretos e indiretos apenas em São Paulo.
Economia Circular na prática
Um evento com tais proporções, como Darlan reforçou, não pode deixar a circularidade de lado.
Dados apresentados pelo arquiteto mostram que mais de 50 toneladas de materiais da mostra foram doadas à ONGs. “Mobiliário, cortinas, tecidos, tudo o que pode ser salvo ali dentro e que não é de interesse do arquiteto ou da marca volta para o mercado ou para pessoas que necessitam”, explicou o diretor.
A CASACOR conta com selos de acessibilidade, e certificados Lixo Zero e Carbono Neutro. Mais de 5 mil visitantes já optaram pelo ingresso com compensação das emissões de carbono.
De forma resumida, a sustentabilidade na CASACOR é transversal, considerando:
- Gestão de incômodos;
- Gestão de resíduos;
- Gestão de recursos(água e energia);
- Tintas à base d’água;
- Construções secas e industrializadas; e
- Sensibilização e engajamento de equipes.
Acompanhe o aprofundamento desses pontos nos próximos tópicos.
Gestão de resíduos
Em uma mostra, a gestão de resíduos envolve 1.200 toneladas de materiais, incluindo 800 toneladas de gesso reciclado.
Um exemplo prático citado foi o controle de tintas: “Todos os pincéis são lavados em uma única torneira. Com isso, consigo fazer a filtragem de toda a borra de tinta e não a dispensar no esgotamento sanitário. Estou falando de 500 kg de borra de tinta com logística reversa”.
Inovação em materiais
A valorização da madeira e materiais sustentáveis foi tema central. Darlan apresentou diversos ambientes que utilizam tecnologias inovadoras, como a bilheteria de 2026, projetada pela arquiteta Viviane Teles. “Ela fez uma coisa completamente inovadora, que foi uma construção totalmente em bambu laminado colado. Ninguém havia visto isso acontecer com o bambu. Ela tem um terço do peso que seria se fosse feita em madeira”.
O diretor também destacou a técnica japonesa Shou Sugi Ban, apresentada pela arquiteta Marina Salles: “Ela utilizou o Pinus, uma madeira corriqueira, criou um tipo de carbonização e fez um trabalho de lixamento, criando essa característica de nobreza. É pelo menos a primeira vez que vejo sendo trazida numa CASACOR”.
Ainda no tópico materiais, a rastreabilidade é prioridade. “Na CASACOR só aceitamos madeira e todos os produtos originários dela que tenham documento de origem florestal (DOF) ou o selo FSC. Preciso garantir que não tenhamos madeira ilegal no ambiente”, enfatizou.
Construção industrializada
Desde 2018, a mostra aboliu construções em alvenaria. “Somos um cenário que deve durar dois meses e meio. Precisamos fazer algo de fácil ‘desmontabilidade’. Abolimos qualquer construção feita em alvenaria, exatamente porque dois meses depois aquilo ia virar entulho”, justificou o diretor.
Um exemplo apresentado foi a casa projetada pelo arquiteto Guto Requena em 2021: “Totalmente feita em madeira usinada, peça por peça. Era um grande quebra-cabeça. Depois foi totalmente desmontada, comprada por um empresário e hoje está instalada nos arredores de São Paulo”.
Impacto social da CASACOR
A dimensão social da sustentabilidade também foi abordada. Darlan citou o trabalho da arquiteta Ester Carro. “Ela é ativista social. Depois que fez todo o ambiente [em 2023], todos os materiais foram compor casas dentro do Jardim Colombo, comunidade onde ela atua. Ela já condicionou moradia digna a mais de 450 famílias, mais de 600 ambientes dentro da comunidade”.
Considerando as pessoas que colocam a CASACOR de pé, Darlan revelou que são três meses de operação, sendo 45 dias de montagem com cerca de 4 mil operários trabalhando em turnos de 24 horas. “Cada ambiente tem sua turma e equipe de construção. Essas pessoas passam por treinamento sobre saúde e segurança no trabalho, gestão de resíduos e conduta ética”, detalhou.
Design brasileiro em destaque
“Há 10 anos, consumíamos muito design italiano. A CASACOR promoveu com que o design brasileiro fosse consumido. Hoje nossos ambientes são repletos de mobiliário nacional, genuinamente feito pelos nossos designers ou pelas nossas fábricas”, afirmou o diretor, corroborando com outros especialistas que palestraram na ForMóbile 2026.
A valorização do artesanato também ganhou espaço. “A arte manual, o artesanato, era algo que ninguém colocava dentro da decoração. Hoje está completamente inserido em ambientes de alto padrão, onde existe valorização da arte manual e da arte popular”, destacou.
Sustentabilidade e retorno financeiro
“Desde que iniciamos, reduzimos o número de caçambas pela metade. Em 2015, tinha geração de 2 mil toneladas de resíduo. Hoje fico no patamar entre 800 e 1.200 toneladas. Isso tem impacto financeiro. O mesmo aconteceu com água e energia”, comentou Darlan.
O diretor também mencionou o interesse de marcas comprometidas com sustentabilidade: “Conseguimos esse reflexo com marcas que têm consciência ambiental, como Natura, Leroy Merlin, Coral, LG e toda a cadeia da Dexco. São marcas que buscam associação entendendo que são práticas alinhadas com o trabalho que fazem”.
Para empresas do setor moveleiro e marcenarias, a CASACOR representa uma vitrine estratégica. “Depois que arquitetos participam da CASACOR, é como se tivessem um carimbo, uma certificação de qualidade, porque as portas do mercado se abrem de outra maneira”, concluiu o diretor.
A CASACOR São Paulo 2026 segue aberta para visitação até 9 de agosto no Parque da Água Branca, apresentando 70 ambientes que demonstram como sustentabilidade, inovação e design podem caminhar juntos na construção de um futuro mais responsável para a arquitetura e construção civil.