Ainda sobre a COP30, cujo objetivo foi gerar estratégias para as soluções climáticas, de modo a fortalecer a colaboração mútua internacional, a ForMóbile Digital traz um dos eixos centrais da conferência: a eficiência energética e o papel das máquinas na redução do consumo.

No setor moveleiro, o consumo de energia está diretamente ligado às operações fabris, com equipamentos cada vez mais modernos. A busca por ações efetivas é fundamental para a redução dos impactos ambientais, bem como para aumentar a competitividade e evitar desperdícios no parque fabril.

Investir em eficiência energética é uma tendência do século 21? Sim, mas vai além disso. Trata-se também de uma medida técnica, econômica e responsável.

Menos energia, mais resultados

Segundo Gino Paulucci, presidente do Conselho de Administração da Associação Brasileira da Indústria de Máquinas e Equipamentos (ABIMAQ), a eficiência energética é definida como a capacidade de realizar mais com menor consumo. “E o consumo energético representa uma parcela significativa dos custos de produção”, completa.

No processo fabril do setor moveleiro, por exemplo, os móveis passam por diferentes etapas, entre as quais, corte, usinagem, furação, lixamento, acabamento, etc. Todas elas com uma grande demanda energética.

E quando as respectivas máquinas são mais antigas, com sistemas desgastados e controles obsoletos, tendem a absorver ainda mais energia. E mais, sem oferecer melhores resultados.

Também, quando a manutenção preventiva é ignorada, tal cenário tende a piorar. Sistemas se mostram comprometidos e a produção se torna ineficiente. Há falhas elétricas e o consumo energético aumenta silenciosamente. “É fundamental refletirmos sobre os avanços já alcançados e os desafios que persistem”, revela Paulucci.

Eficiência pela manutenção preventiva

Por falar em manutenção preventiva, ela é um dos pilares da eficiência energética na indústria de móveis (e nas demais). A importância está justamente na revisão dos equipamentos com certa regularidade para que possam operar com menos esforço mecânico. Como resultado, a produção reduz os picos de consumo e mantém a estabilidade.

Outro ponto importante é que a manutenção preventiva contribui para a qualidade final dos produtos. Ou seja, evita-se o retrabalho e, consequentemente, o desperdício energético, uma vez que cada peça ou componente refeito significa mais tempo de funcionamento para as máquinas, mas insumos utilizados, entre outras questões.

Modernização da indústria moveleira

Além da manutenção, o consumo energético pode ser reduzido por meio da aquisição de novas máquinas e ferramentas mais tecnológicas.

De acordo com o conselheiro da ABIMAQ, modelos de alta eficiência apresentam um grande potencial de economia. “Podem reduzir o consumo de energia em até 470% do valor de aquisição do equipamento ao longo de sua vida útil”. Isso porque os equipamentos mais modernos possuem motores de alto rendimento, incluindo inversores de frequência e sistemas inteligentes de acionamento e automação precisa (Indústria 4.0), que ajudam a controlar o consumo conforme a demanda.

Saiba que estas mesmas máquinas ainda permitem ciclos de produção mais ágeis e estáveis. Ou seja, reduzem o tempo de produção de cada peça, bem como o consumo energético.

Ganha-se em produtividade e aproveitamento total da energia disponibilizada. E no setor de móveis, a renovação tecnológica facilita a adaptação dos novos materiais, contribui com a sustentabilidade e atende as exigência do mercado atual.

Gestão energética

Embora os desafios sejam inúmeros, existe a possibilidade de gerir o consumo energético em tempo real. Para Gino, a indústria brasileira de máquinas se destaca por sua capacidade de inovação e adaptação. Hoje em dia, os equipamentos apresentam recursos de IA, por exemplo, para a análise de dados, a identificação dos gargalos na produção e a correção das ineficiências.

Mas para que serve todo esse controle no contexto? Para a tomada de decisões com relação ao ajuste dos turnos, à reorganização da produção e também sobre a eliminação dos desperdícios imperceptíveis. Máquinas ligadas sem carga produtiva ou consumo elevado fora dos horários de pico elevam o consumo energético. E o papel delas deve ser exatamente o contrário, conforme temos visto aqui.

A propósito, o presidente destaca que, “no Brasil, o consumo de energia nas indústrias corresponde a quase 40% do valor do bem produzido, com uma grande parte proveniente de fontes hidroelétricas. Embora renováveis e mais ‘limpas’ que a média mundial, essas fontes não estão totalmente isentas de impactos ambientais”.

Fato é que modernizar o parque fabril, investir em manutenção e adotar tecnologias mais inteligentes são ações que reduzem os impactos causados pelo consumo energético e colocam a indústria de móveis no caminho para um modelo produtivo mais sustentável.

Não se trata apenas de uma exigência ambiental, mas de um diferencial estratégico para quem pretende crescer no mercado e mostrar ao público responsabilidade junto com uma visão otimista do futuro.

“A eficiência energética é, portanto, uma pauta que pode posicionar o país como um pilar para a competitividade industrial e a sustentabilidade econômica.”

Sobre consumo de energia na indústria moveleira, baixe o Guia do Mercado Livre de Energia.