Todos querem se sentir bem num ambiente, correto? No entanto, para que isso seja possível é preciso pensar além da estética.

Nosso corpo percebe temperaturas, ventilação, incidência solar, espaços, cores, etc. Nesse contexto, o conforto térmico se torna um dos pilares dos projetos de arquitetura, engenharia e design de interiores. Ele dá consistência e eficiência.

Continue a leitura para entender esse conceito e sua importância.

O que é conforto térmico?

Primeiramente, vale saber que conforto térmico é uma condição. Como assim? Aquela em que as pessoas se sentem termicamente satisfeitas em um determinado ambiente. Ou seja, não sentem frio e nem calor de maneira excessiva.

Trata-se de um equilíbrio que depende de fatores como temperatura do ar, umidade, ventilação, radiação solar, entre outras características. Em projetos efetivos, o conforto térmico acontece de maneira imperceptível. Ele é sentido, na verdade.

Segundo Jessica Coelho, arquiteta, urbanista e consultora da Projetou, é necessário que um espaço tenha uma temperatura ambiental adequada, uma vez que isso impactará na saúde e no conforto dos usuários. “Isso depende de diversos fatores que podem interferir, desde as estruturas até os acabamentos da edificação”, detalha.

De acordo com a Sociedade Americana dos Engenheiros de Aquecimento, Refrigeração e Ar-condicionado (ASHRAE), o conforto térmico expressa a satisfação com as condições térmicas de um ambiente, de modo que ele seja avaliado subjetivamente pelos indivíduos.

E considere ainda que isso vale tanto para o calor como para o frio. As mudanças climáticas, cada vez mais, devem ser consideradas nos projetos de arquitetura e design.

Qual é o papel da arquitetura e da engenharia nas edificações?

Dentro deste assunto, a arquitetura e a engenharia são responsáveis pelas decisões estruturais que impactam diretamente o desempenho térmico das edificações. Os profissionais ficam a cargo da orientação solar correta, bem como do posicionamento e do dimensionamento de aberturas. Cuidam também do aproveitamento da ventilação natural e da escolha de sistemas construtivos adequados. Tudo isso é fundamental para reduzir ganhos excessivos de calor ou perdas térmicas indesejadas.

Conforme Jessica, “todos os tipos de projetos devem abordar tal questão, entendendo a sua necessidade e aplicabilidade por meio dos elementos construtivos. É preciso garantir conforto e saúde em ambientes de permanência humana”.

Fora os fatores citados, os materiais de fachada, coberturas, isolamentos térmicos e soluções como brises e beirais também contribuem para manter a temperatura interna mais estável ao longo do dia e estão dentro das métricas da arquitetura e da engenharia.

Quando bem planejadas, tais estratégias reduzem a dependência de sistemas artificiais de climatização, de modo a promover eficiência energética e sustentabilidade.

“Entre os principais benefícios do conforto térmico estão a manutenção do equilíbrio emocional, a melhoria do desempenho profissional, a redução dos problemas de saúde e também do consumo energético.”

O design de interiores também contribui para o conforto térmico?

A resposta é sim. No design de interiores, o conforto térmico é determinado por meio de escolhas sensíveis e também funcionais. A seleção dos materiais é uma das principais aliadas dos especialistas. Entre as opções, destaque para madeira, tecidos naturais, revestimentos adequados e acabamentos com menor absorção ou reflexão de calor, os quais ajudam a equilibrar a sensação térmica dos ambientes.

Isso sem falar nas cores. Diversos tons exercem influência, como os claros que tendem a refletir a luz e o calor, enquanto os escuros absorvem mais energia térmica.

Mais itens para a lista são cortinas, persianas e painéis, pois ajudam a controlar a entrada de luz solar para tornar os ambientes mais agradáveis em diferentes períodos do dia. O mobiliário, por sua vez, deve favorecer a circulação do ar, evitando bloqueios que prejudiquem a ventilação natural.

Para a especialista, a percepção do conforto térmico varia de pessoa para pessoa. “Ela pode ainda sofrer alterações por fatores psicológicos, fisiológicos e ambientais”.

Portanto, o designer atua como um integrador de soluções, alinhando estética, funcionalidade e conforto. Ao compreender o comportamento do usuário e as características do espaço, ele consegue criar ambientes que acolhem, equilibram temperaturas e oferecem bem-estar de maneira contínua.

Estratégias para maior conforto térmico em ambientes

Segundo a NBR 15520, uma temperatura confortável varia entre 22°C e 24°C. Para alcançar este objetivo, algumas estratégias devem ser levadas em consideração. Jessica compartilhou as seguintes informações: implantação do terreno, observação da orientação solar, adoção de aberturas, uso de isolantes térmicos e a determinação da distância entre as edificações.

Temos também o formato do telhado, a utilização de vegetação (paisagismo) e de materiais que auxiliam no conforto térmico, como telhas cerâmicas, drywall, madeira e vidros. “É indispensável realizar pesquisas aprofundadas, incluindo normas e materiais que foquem no respectivo tema”, finaliza Jessica.