O novo acordo de livre comércio entre a União Europeia e o Mercosul recoloca o Brasil no centro das discussões sobre competitividade industrial, acesso a mercados internacionais e sustentabilidade.
Para marceneiros, fabricantes de móveis e grandes empresários da indústria moveleira, o tema vai muito além da política comercial: trata-se de uma mudança estrutural nas regras do jogo que pode redefinir custos, padrões produtivos e oportunidades de crescimento.
Em um cenário de exigências ambientais cada vez mais rigorosas e de maior integração das cadeias globais, compreender os impactos desse acordo é essencial para quem deseja se manter relevante e competitivo no mercado nacional e internacional. “Eu vejo o acordo entre a União Europeia e o Mercosul como a criação de uma das maiores áreas de livre comércio do mundo”, afirma Daniel Toledo, advogado especializado em Direito Internacional e consultor de negócios internacionais.
Segundo ele, a proposta vai além da simples redução de tarifas, ao estabelecer regras comuns sobre origem de produtos, propriedade intelectual, compras governamentais e facilitação de comércio, trazendo mais previsibilidade jurídica e econômica para as relações entre os blocos.
Características do Acordo UE e Mercosul
Na prática, esse novo ambiente tende a impactar diretamente setores industriais estratégicos, como o moveleiro, ao integrar economias maduras da Europa com mercados emergentes da América do Sul e abrir espaço para um fluxo comercial mais intenso e menos custoso.
“Isso significa redução de impostos de importação, maior acesso a mercados antes protegidos e integração de cadeias produtivas internacionais”, explica o advogado. “Para empresas, abre espaço para planejamento de longo prazo, contratos internacionais mais estáveis e atração de investimentos, especialmente em setores industriais, agrícolas e de transformação”, continua.
Impacto na indústria moveleira nacional e internacional
De acordo com Toledo, na indústria moveleira, o impacto tende a ser bastante revelante. Isso porque, móveis e produtos de madeira estão diretamente ligados a custos logísticos, tarifas e exigências ambientais.
“Em nível global, o acordo aumenta a concorrência entre polos produtores da Europa, da América do Sul e da Ásia”, elucida.
“Já para o Brasil, isso pode significar tanto oportunidades quanto desafios. O que significa que empresas que conseguirem cumprir padrões europeus de rastreabilidade e sustentabilidade podem ganhar competitividade e acessar um mercado sofisticado e de alto valor agregado. Por outro lado, quem não se adaptar tende a perder espaço ou a redirecionar sua produção para o mercado interno ou outros destinos.”
Ao observar o cenário internacional, especialmente na União Europeia, Toledo afirma que o mercado de madeira tende a ficar mais seletivo. “Mesmo com redução de tarifas, haverá maior exigência de comprovação de origem legal e sustentável, o que pode reduzir volumes de produtos com risco ambiental e valorizar cadeias produtivas mais transparentes”, comenta o advogado.
“Já no Brasil, isso deve acelerar a profissionalização do setor, com mais investimentos em rastreabilidade, governança e conformidade ambiental”, continua.
“Além disso, para produtores que atuam com madeira de reflorestamento ou cadeias bem estruturadas, o acordo pode representar uma oportunidade concreta de acesso a mercados premium. No entanto, para outros, pode representar um aumento de custos e necessidade de adaptação rápida para permanecer competitivo.”
A sustentabilidade dentro do novo acordo
Quando o assunto é sustentabilidade, Toledo observa que o novo acordo não elimina subsídios agrícolas europeus, mas cria mecanismos de equilíbrio, como salvaguardas e cotas, para reduzir distorções competitivas.
“Do ponto de vista ambiental, ele reforça compromissos com padrões de sustentabilidade, direitos trabalhistas e proteção ambiental. Na prática, isso se conecta diretamente com as regulações europeias mais rígidas, como as regras contra produtos associados ao desmatamento”, explica o advogado, enfatizando que o comércio passará a ser condicionado não apenas ao preço, mas também ao cumprimento de critérios ambientais claros.
Diante desse novo cenário, o acordo entre a União Europeia e o Mercosul se apresenta como um divisor de águas para a indústria moveleira brasileira, exigindo visão estratégica, adaptação e investimento em conformidade produtiva e ambiental.
Mais do que uma oportunidade comercial, ele impõe uma mudança de postura ao setor, que passa a competir em um ambiente mais integrado, transparente e exigente.
Para marceneiros, fabricantes e grandes empresários, o momento é de atenção e planejamento: compreender as novas regras, antecipar adequações e fortalecer cadeias produtivas sustentáveis será determinante para transformar os desafios do acordo em vantagens competitivas e garantir espaço em um mercado global cada vez mais seletivo.
Além da oportunidade aberta pelo acordo União Europeia e Mercosul, conheça mais práticas de sustentabilidade no setor moveleiro.
Tags